Taiwan acompanhará de perto o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, nesta semana, de olho em possíveis discussões sobre compras de armamentos consideradas essenciais para a defesa da ilha.
Xi Jinping visitará Washington para uma cúpula com Trump enquanto ambos os lados buscam estabilizar as relações bilaterais, marcadas por divergências sobre diversos assuntos, desde comércio até Taiwan .
Os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas e garantidor de segurança de Taiwan. O governo chinês se opõe sistematicamente à venda de armamentos para a ilha, que Pequim reivindica como parte de seu território, embora nunca tenha exercido controle sobre ela.
Trump ainda não aprovou um pacote de venda de armas para Taiwan avaliado em cerca de US$ 14 bilhões. Após sua reunião de cúpula com Xi, em maio, o presidente americano descreveu o acordo como uma “carta de negociação muito boa”.
A demora preocupa Taipé. Um alto funcionário de segurança nacional afirmou a jornalistas que Pequim vê os atrasos nas vendas de armas americanas a Taiwan como uma forma de retardar o fortalecimento militar da ilha.
Isso, por sua vez, daria à China mais espaço para pressionar Taiwan, Japão e Filipinas em uma região considerada por Pequim e Washington uma área estratégica de controle no Pacífico Ocidental.
“O objetivo da China é fazer com que os EUA reduzam seu compromisso com a segurança e sua presença militar ao longo da primeira cadeia de ilhas, o que inclui atrasar as vendas de armas para Taiwan”, afirmou o funcionário.
Segundo ele, enquanto os Estados Unidos estão concentrados na guerra com o Irã, na invasão russa da Ucrânia e nas próximas Eleições de Meio de Mandato, a China poderia oferecer “cheques em branco” — como a compra de produtos americanos ou promessas de reduzir as tensões no Oriente Médio — em troca de uma redução dos compromissos de segurança dos EUA na região.
“A China quer ganhar tempo para ampliar sua capacidade de ameaçar e pressionar a região. Ela quer preservar certo grau de vantagem que atualmente possui e garantir que essa vantagem não seja perdida”, afirmou o funcionário.
“Linha vermelha”
Já o embaixador da China nos EUA alertou nesta quarta-feira (23) que o país tem “linhas vermelhas” em relação a Taiwan, direitos humanos e outras questões que não podem ser ultrapassadas, antes da reunião desta semana em Washington entre os líderes dos dois países.
Em artigo publicado no Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o embaixador Xie Feng afirmou que a gestão das divergências depende da boa-fé e que os EUA deveriam parar de “fabricar pretextos”, como segurança nacional, desequilíbrios econômicos e trabalho forçado, para tentar conter a China.
A China reivindica Taiwan, governada democraticamente, como seu próprio território, apesar das objeções do governo em Taipei. Os EUA são o principal fornecedor de armas e apoiador internacional de Taiwan, apesar da ausência de laços formais.
Xi Jinping afirmou que a diplomacia de alto nível é a “mão firme” das relações China-EUA e que as divergências não devem ser temidas.
Um comentário separado, publicado na quarta-feira no mesmo jornal, afirmou que as percepções “errôneas” dos EUA sobre a China e sua incapacidade de abandonar a noção de competição estratégica são as causas básicas de seu recente relacionamento difícil.
“Nos últimos anos, o caminho tortuoso percorrido pelas relações China-EUA demonstra claramente que as percepções errôneas dos EUA sobre a China e sua relutância em abandonar a noção de ‘competição estratégica’ são a causa fundamental das dificuldades recorrentes”, afirmou o comentário , sem oferecer detalhes.
“Ambos os lados devem valorizar o momento favorável que surgiu a um custo elevado, manter a direção correta e eliminar interferências”, dizia o artigo, publicado sob o pseudônimo “Zhong Sheng”, que significa “Voz da China” e era usado para expressar opiniões sobre política externa.
“O lado americano, em particular, precisa manter a continuidade e a estabilidade em suas políticas, honrar seus compromissos e injetar certeza nas relações bilaterais”, acrescentou.
*Com informações da Reuters
Fonte: CNN Brasil