Polícia desmonta acampamento de protesto contra crise imobiliária em Lisboa


A polícia entrou neste domingo (1º) na Praça do Rossio, em Lisboa, para desmontar um acampamento de barracas montado após milhares de pessoas marcharem em protesto contra um projeto de lei sobre aluguéis. Os manifestantes exigem que o governo minoritário de centro-direita de Portugal retire a proposta, que, segundo eles, agravaria a crise habitacional do país.

Portugal enfrenta uma das piores crises habitacionais da Europa, que afeta especialmente os jovens. Os preços dos imóveis mais que dobraram desde 2017, enquanto os aluguéis de novos contratos quase dobraram no mesmo período.

Os protestos contra a disparada dos custos de moradia se intensificaram em Portugal nas últimas semanas, refletindo manifestações semelhantes que se espalham pela Espanha, França, Alemanha e outros países europeus.

Os manifestantes montaram mais de 50 barracas na Praça do Rossio após uma marcha pelo centro de Lisboa no sábado (31), que reuniu milhares de pessoas.

Por volta das 4h30 (1h30 no horário de Brasília), dezenas de policiais, alguns acompanhados de cães, avançaram sobre o acampamento. Antes da ação, o comandante policial Iuri Rodrigues alertou os manifestantes três vezes de que as barracas montadas ilegalmente seriam desmontadas caso não fossem retiradas. Ele também advertiu que aqueles que resistissem poderiam responder por desobediência.

Centenas de manifestantes que protegiam o acampamento foram dispersados pela polícia, que usou escudos e realizou algumas investidas com cassetetes.

Separadamente, a polícia desmontou um acampamento semelhante, embora menor, na Praça Dom João I, no Porto.

Mais cedo, o deputado socialista Pedro Delgado Alves afirmou que a Praça do Rossio estava tranquila e que nada justificava “uma intervenção policial com uso de força, violência física ou investidas com cassetetes, o tipo de cenas que testemunhamos na semana passada”.

A polícia foi criticada por avançar com cassetetes contra manifestantes e prender dezenas de pessoas durante a retirada de acampamentos nas mesmas praças, uma semana antes.

Retirada de projeto de lei

Os manifestantes exigem que o governo retire um projeto de lei que facilita despejos e acaba com os limites aos aluguéis de novos contratos. A proposta foi aprovada em uma primeira votação parlamentar, com a abstenção do partido de extrema direita Chega.

Na quinta-feira (29), o primeiro-ministro Luis Montenegro descartou retirar o projeto, mas afirmou estar aberto a alterações antes da votação final, prevista para as próximas semanas. Segundo ele, os partidos “precisam se aproximar”, embora tenha deixado claro que “a principal linha de atuação é o programa do governo”.

O líder do Partido Socialista, Jose Luis Carneiro, pediu no sábado que o governo negocie com os partidos de oposição e os manifestantes, em vez de “impor arrogantemente suas posições, às vezes até com tons autoritários”.



Fonte: CNN Brasil

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