Pecuária brasileira entra no fim de 2026 com oferta menor e demanda externa


A pecuária de corte brasileira deve chegar ao último trimestre de 2026 em um cenário de oferta mais restrita de animais para abate, ao mesmo tempo em que a demanda internacional continua sustentando as exportações de carne bovina, segundo dados da consultoria StoneX.

De acordo com a consultoria, a combinação entre a retenção de fêmeas e o avanço do ciclo pecuário tende a reduzir gradualmente a disponibilidade de gado, movimento que ajuda a manter os preços firmes no mercado físico e nos contratos futuros.

Segundo a Analista Senior de Inteligência de Mercado, Larissa Alvarez, a retenção de fêmeas é um dos principais fatores que começam a alterar o equilíbrio do mercado. Com mais matrizes permanecendo no rebanho, a oferta de animais para abate diminui, enquanto o avanço do ciclo pecuário também contribui para uma redução gradual da disponibilidade. “Esse movimento deve ganhar importância ao longo dos próximos meses e ajudar a sustentar as cotações da arroba”, comentou durante o 9º Seminário Multimercados StoneX.

Esse cenário de oferta mais ajustada ocorre mesmo com a pecuária brasileira mantendo um ritmo elevado de exportações. A demanda externa continua absorvendo volumes significativos de carne bovina produzida no país, enquanto a participação de diferentes mercados vem aumentando. China e Estados Unidos permanecem entre os principais compradores, mas países da América Latina, Oriente Médio, Ásia e Eurásia também ampliaram sua participação, tornando as vendas externas brasileiras mais diversificadas.

A diversificação dos destinos reduz a dependência do Brasil em relação a poucos mercados e reforça a competitividade da carne bovina nacional no comércio internacional. Para o quarto trimestre, a StoneX avalia que a demanda externa deve continuar dando suporte ao mercado, mesmo diante de mudanças nas regras de acesso e de restrições comerciais em alguns destinos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado passou por um período de preços elevados da carne bovina e de tarifas sobre as importações. Uma isenção temporária foi aplicada à carne moída produzida a partir de cortes magros, em uma medida relacionada às preocupações com o orçamento dos consumidores. Segundo a StoneX, o movimento também levanta questionamentos sobre a velocidade com que eventuais mudanças nos custos de importação podem chegar aos preços pagos pelo consumidor final.

Na União Europeia, as mudanças relacionadas à rastreabilidade do uso de antimicrobianos provocaram antecipação de embarques e reforçaram a necessidade de sistemas de controle mais robustos para que a carne brasileira mantenha acesso a mercados de maior valor agregado. A adaptação, porém, tende a ocorrer de forma gradual devido à complexidade da cadeia produtiva.

Para a StoneX, o quarto trimestre deve consolidar justamente essa combinação de menor oferta doméstica e demanda internacional ainda resistente. A retenção de fêmeas e a virada do ciclo pecuário apontam para uma redução gradual da disponibilidade de animais, enquanto os compradores estrangeiros continuam absorvendo volumes elevados da produção brasileira, mesmo diante das mudanças nas condições comerciais.

O equilíbrio entre oferta e demanda ajuda a explicar a sustentação observada tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros. Os contratos com vencimento em 2027, inclusive, estavam sendo negociados próximos de R$ 390 por arroba, sinalizando que o mercado já incorpora uma perspectiva de menor disponibilidade de animais nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o desempenho das exportações reforça a importância do mercado externo para a formação das condições da pecuária brasileira. A ampliação dos destinos compradores permite ao setor distribuir melhor os volumes exportados entre diferentes regiões e reduz a exposição às alterações de política comercial de um único país.

Com isso, a perspectiva para o encerramento de 2026 é de um mercado de carne bovina sustentado por dois vetores principais. De um lado, a oferta de animais tende a ficar mais limitada com a retenção de fêmeas e o avanço do ciclo pecuário. De outro, a demanda internacional permanece relevante, com o Brasil mantendo presença em diferentes mercados e ampliando a diversificação de seus destinos.

O cenário, portanto, aponta para uma pecuária que entra no fim do ano com menos animais disponíveis e uma demanda externa ainda capaz de absorver a produção, combinação que tende a manter os preços da arroba sustentados e a dar suporte às perspectivas para o mercado em 2027.



Fonte: CNN Brasil

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