Nepal recua e pede ajuda estrangeira técnica para lidar com enchentes


O Nepal suspendeu as operações de busca e resgate neste sábado (29) devido ao mau tempo e informou que precisa de assistência técnica estrangeira para lidar com a inundação devastadora que atingiu uma área na fronteira com a China.

O pedido de ajuda acontece depois do país ter recusado apoio nas operações de busca e resgate, afirmando que estava gerenciando os esforços por conta própria.

“A oferta de ajuda é natural. Nossas agências de segurança estão realizando a operação. Por enquanto, não precisamos desse tipo de ajuda”, disse Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, na sexta-feira (28).

A nação empobrecida do Himalaia, com 30 milhões de habitantes, também precisará de cerca de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (entre R$ 20 e R$ 25 bilhões) para a reconstrução após a destruição causada pela inundação de quarta-feira (26), disse o ministro das Finanças à agência de notícias Reuters.

Desencadeada pelo colapso de uma geleira, uma enorme enxurrada de rochas, gelo, lama e detritos avançou rapidamente pelos sistemas fluviais montanhosos na quarta-feira, matando pelo menos 616 pessoas ao arrasar edifícios, pontes e usinas de energia em seu caminho.

Cerca de 2.500 pessoas continuam desaparecidas, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia.

Corpos irreconhecíveis serão enterrados

“As operações de busca e resgate foram temporariamente suspensas devido à chuva e ao nevoeiro”, disse à Reuters Narendra Pariyar, a principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa, fortemente atingido.

O foco está na organização de transporte terrestre para levar os peregrinos resgatados à capital, Catmandu, afirmou ele.

Como as mortes decorrentes da enxurrada ocorreram há três dias, as autoridades informaram que alguns dos corpos recuperados agora já apresentavam um grau de decomposição que impossibilitava o reconhecimento.

Eles seriam enterrados após o cumprimento das formalidades legais, devido a riscos sanitários e ao receio de epidemias.

“Serão coletadas amostras de DNA e os corpos serão enterrados em um espaço aberto”, informou a administração do distrito de Chitwan em um comunicado.

Em Catmandu, familiares dos desaparecidos reuniram-se em frente ao Campus Médico de Maharajgunj, para onde alguns corpos foram levados.

Muitos tentavam identificar parentes por meio de fotografias dos corpos ali depositados — imagens que estavam coladas ou penduradas no portão e nos muros do local.

As autoridades informaram que apenas sete dos 49 corpos levados ao hospital haviam sido identificados.

Reduz-se o risco de transbordamento do lago

As autoridades também suspenderam brevemente as operações de resgate na sexta-feira (28), quando um lago — formado na fronteira entre o Nepal e a China após a inundação — começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.

Neste sábado, o risco de transbordamento do lago diminuiu, segundo autoridades chinesas.

Imagens de satélite indicaram que a água estava escoando lentamente, reduzindo gradualmente o volume do reservatório, informou a emissora estatal CCTV.

Esse lago é um dos dois situados a montante da área afetada pela inundação que o Nepal está monitorando. Os riscos de inundação persistirão até que ambos sejam totalmente drenados, alertou uma autoridade.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país não precisava de ajuda nas operações de busca e resgate, mas necessitava de assistência para resgatar pessoas presas em túneis, restabelecer vias de transporte e comunicação em locais onde pontes foram destruídas, identificar corpos, realizar testes de DNA e armazenar corpos por períodos mais longos.

“Já solicitamos esses serviços especializados e assistência técnica para áreas onde não dispomos de experiência e conhecimento técnico suficientes”, disse ele à Reuters na noite de sexta-feira.

China pede cooperação internacional

Nova Délhi enviou três voos com cerca de 60 toneladas de suprimentos de ajuda humanitária ao Nepal — incluindo cobertores, medicamentos, alimentos e pastilhas para purificação de água — e planeja enviar também uma equipe de resgate em túneis e uma equipe médica.

A Índia também ofereceu sua força de resposta a desastres e pontes pré-fabricadas, juntamente com equipes técnicas para ajudar a restabelecer as vias de acesso, informou o Ministério das Relações Exteriores.

Pequim pediu o envio de ajuda emergencial para as áreas do Nepal atingidas pelo desastre e solicitou cooperação internacional em resgates, sem detalhar o que a China está enviando ao país.

O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, disse à Reuters que a estimativa inicial de Catmandu é de que seriam necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a reconstrução.

“Essa é apenas uma estimativa. As perdas e os danos ainda estão sendo avaliados”, afirmou ele.

Autoridades chinesas também têm trabalhado intensamente para localizar mais de 500 pessoas desaparecidas após a inundação.

Na sexta-feira (28), equipes de resgate chegaram ao complexo de fronteira de Gyirong — a área mais atingida —, atravessando montanhas e vales e utilizando cordas para transpor florestas e penhascos, uma vez que as estradas de acesso ao local, cercado por encostas íngremes do Himalaia, haviam sido destruídas.

Imagens de câmeras de segurança do posto de fronteira mostraram enormes enxurradas de água e detritos invadindo as edificações no momento em que a inundação atingiu o local, enquanto as pessoas tentavam escapar.



Fonte: CNN Brasil

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