Na ONU, Delcy ignora Maduro, acena a Trump e promete eleições na Venezuela


A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que o país realizará eleições para escolher um novo presidente e que Caracas iniciou um processo de transição rumo à democracia.

Apesar da afirmação, Rodríguez não informou quando a votação ocorrerá e disse que o povo venezuelano determinará o momento adequado.

“Assumirei uma responsabilidade histórica. É a responsabilidade de conduzir a Venezuela da incerteza e do conflito para uma democracia plena, reconhecida pelo seu próprio povo e pelo mundo”, declarou.

Segundo Rodríguez, o governo venezuelano iniciou um diálogo com a oposição e pretende conduzir o processo “à plena democracia”. Ela afirmou ainda que as “instituições estarão prontas para esse processo” e classificou a transição como “ordenada, institucional e verificável”.

“Este é o momento de construir a nação para a qual muitas pessoas desejam retornar”, disse Rodríguez, acrescentando que a recuperação do país “levará tempo”.

A presidente interina não mencionou Nicolás Maduro durante o discurso. O ditador venezuelano foi capturado por Forças Americanas durante uma operação realizada em Caracas em janeiro.

Aproximação com Trump

Durante o discurso, Rodríguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por “retomar relações diplomáticas” com Caracas e afirmou que a Venezuela busca reconstruir os vínculos com Washington e com os demais países da região.

“Hoje, trabalhamos seriamente para, por meio do diálogo, resolver nossas diferenças”, afirmou.

“Mas, acima de tudo, trabalhamos para abrir caminho para a cooperação no setor de energia, para promover a segurança e para combater juntos o crime transnacional”, acrescentou.

Rodríguez afirmou ainda que a Venezuela “aspira construir relacionamentos com os EUA e seus vizinhos” e defendeu relações baseadas em cooperação, respeito e igualdade.

A aproximação ocorre depois de meses de negociações entre Caracas e Washington. Em agosto, o governo venezuelano se reuniu com integrantes da oposição para iniciar conversas apoiadas pelos Estados Unidos com o objetivo de estabelecer uma transição democrática.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que integrantes da Assembleia Nacional de 2015 mantêm conversas regulares com autoridades interinas venezuelanas para criar as condições necessárias para eleições livres e justas.

“A liderança da Assembleia Nacional de 2015 tem mantido conversas regulares com as autoridades interinas para criar as bases e reconstruir as instituições necessárias para a realização de eleições livres e justas na Venezuela, o que é crucial”, afirmou Rubio.

Segundo o secretário, “vários veículos de comunicação independentes” conseguiram transmitir a partir da Venezuela nas últimas duas semanas. Rubio também afirmou que Washington não quer que um novo presidente seja eleito para herdar “uma catástrofe completa”.

Relação com os EUA

Rodríguez assumiu como presidente interina depois da operação americana que capturou Maduro em janeiro. Desde então, ela passou a negociar com o governo Trump enquanto busca preservar a estrutura política ligada ao chavismo.

Desde então, a Venezuela fez concessões a Washington em setores estratégicos, incluindo o petróleo, além de permitir maior supervisão e presença dos Estados Unidos no país.

Em 2 de setembro, Trump afirmou que a Venezuela “não estará pronta” para eleições democráticas, mas declarou esperar que elas ocorram “em breve”.

Mais recentemente, Trump afirmou que os Estados Unidos haviam fechado um acordo petrolífero com a Venezuela que, segundo ele, aumentaria as reservas americanas em mais de 65 bilhões de barris.

Terremotos

Rodríguez também dedicou parte do discurso aos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho e deixaram mais de 6.500 mortos.

A presidente interina afirmou que o país precisa “renascer” após o desastre e disse que os venezuelanos devem reconstruir o país em meio às dificuldades.

“Caminhemos unidos como uma nação que decidiu, em meio à dor, escolher a esperança”, afirmou.

“A força de um povo não se mede em tempos fáceis, mas sim em momentos como estes”, acrescentou.

(Com informações de August Phillips, Mauricio Torres, Michael Rios e Tori B. Powell, da CNN)



Fonte: CNN Brasil

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