Lula x Flávio: 2º turno será absolutamente imprevisível, diz especialista


Uma nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (21), aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, comenta o tema ao Hora H.

O levantamento registrou 46% das intenções de voto para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa ouviu 2.006 eleitores entre os dias 18 e 20 de setembro, em todo o Brasil, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG e registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Os votos brancos, nulos e indecisos somaram 7%, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

Troca de posições e imprevisibilidade

Marcelo Tokarski avaliou que a disputa permanece altamente incerta. “Eu diria que não”, respondeu ao ser questionado sobre se as sucessivas rodadas de pesquisa haviam reduzido a imprevisibilidade do pleito.

Tokarski destacou que, desde agosto do ano passado, o cenário eleitoral passou por diversas reviravoltas: a queda de popularidade do governo, seguida de uma recuperação após a reação ao tarifaço anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, e posteriormente o lançamento de Flávio Bolsonaro como candidato por Jair Bolsonaro, preterindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Flávio Bolsonaro é um candidato extremamente competitivo”, afirmou Tokarski.

O especialista ressaltou que, apesar de todos esses eventos, o cenário eleitoral parece estagnado. “Quando a gente olha o filme, parece que a gente está parado no tempo”, disse.

Segundo ele, Lula lidera o primeiro turno, mas a vantagem, que chegou a quase dois dígitos, vem diminuindo.

“No segundo turno, é absolutamente imprevisível o que pode acontecer”, afirmou Tokarski, explicando que as oscilações entre os dois candidatos ocorrem dentro da margem de erro e representam “fotografias diferentes, de momentos diferentes”.

Queda no potencial de voto feminino de Flávio

Outro dado de destaque na pesquisa é a variação no potencial de voto feminino de Flávio Bolsonaro. O índice recuou de 40% para 36% em relação ao levantamento anterior, enquanto entre o eleitorado masculino o potencial de voto chegou a 58%.

Paralelamente, a rejeição ao candidato entre as mulheres subiu de 55% para 60%.

Para Tokarski, esse movimento reflete uma tendência que se consolidou na política brasileira desde 2022. “As mulheres, desde 2022, existe uma rejeição do eleitorado feminino a Jair Bolsonaro, e acho que o Flávio, de alguma maneira, herda parte dessa rejeição”, analisou.

Em contrapartida, há uma rejeição do eleitorado masculino a Lula. O especialista classificou esse fenômeno como uma “clivagem de gênero” que surgiu na política brasileira em 2022 e que, segundo ele, não existiu nem mesmo nas eleições em que Dilma Rousseff foi eleita.

Tokarski apontou que essa característica remonta ao movimento Ele Não, iniciado em 2018 e intensificado em 2022.



Fonte: CNN Brasil

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