A capital da Alemanha, Berlim, que também é um dos 16 estados federais do país, elegerá uma nova Câmara dos Representantes neste domingo (20).
Segundo as pesquisas de intenção de voto, o partido de esquerda Die Linke (A Esquerda), liderado pela candidata Elif Eralp – filha de imigrantes turcos -, está em uma disputa acirrada com a conservadora CDU, que atualmente governa em coalizão com os social-democratas.
Entre as principais bandeiras do partido está uma regulamentação significativamente mais rígida do mercado de aluguéis, incluindo a desapropriação de grandes empresas privadas do setor imobiliário. No comício de encerramento da campanha do Die Linke, na sexta-feira (18), Eralp destacou o foco social da legenda.
“Não é uma lei da natureza que os ricos fiquem mais ricos, que uma em cada quatro crianças viva agora na pobreza, enquanto o número de bilionários e milionários triplicou”, afirmou Eralp, ressaltando que as políticas devem ser voltadas para aqueles que “mantêm nossa cidade funcionando”.
Até sábado, o Die Linke liderava as pesquisas, com 21%, segundo o instituto Infratest Dimap.
A CDU, liderada pelo candidato Stefan Evers, concentrou a campanha nos temas segurança, política de transporte e construção de novas moradias. Para enfrentar a crise habitacional, o partido rejeita iniciativas como as propostas pela esquerda e as classifica como “populistas”.
“O avanço do extremismo é uma grande preocupação para mim”, disse Evers à Reuters durante um evento de campanha no bairro de Neukölln, em Berlim. “O Partido de Esquerda agora representa o antissemitismo, que tolera dentro de suas fileiras; representa o ódio à polícia; e representa a tentativa de promover desapropriações em massa em Berlim a qualquer custo.”
A CDU atualmente tem 20% das intenções de voto.
Após o forte resultado da legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt no início deste mês, a candidata do partido em Berlim, Kristin Brinker, afirma que sua campanha também tem se beneficiado.
“Nos últimos meses, já vimos que o apoio está crescendo significativamente, que as pessoas estão mais confiantes para se aproximar de nós e também estão se sentindo mais à vontade para dizer o que pensam”, afirmou.
Para a AfD, a crise habitacional de Berlim reforçou o argumento do partido em favor de restrições à imigração. Nas pesquisas, a AfD aparece em terceiro lugar, com 18%.
No entanto, enquanto a imigração teve destaque em outras eleições estaduais alemãs e impulsionou o crescimento do apoio à AfD, em Berlim, onde 85% dos domicílios são alugados, a habitação e os preços dos aluguéis são as principais preocupações dos eleitores.
Neste domingo, os eleitores da capital decidirão a composição da Câmara dos Representantes para os próximos cinco anos. Cerca de 2,5 milhões de pessoas estão aptas a votar.
Entre as possíveis coalizões estão uma aliança formada pelo Partido de Esquerda, pelos Verdes e pelo SPD, ou uma composição entre CDU, Verdes e SPD.
Fonte: CNN Brasil